Terapia online para mulheres: possibilidades, benefícios e desafios na promoção da saúde mental

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Terapia online para mulheres: possibilidades, benefícios e desafios na promoção da saúde mental

✨Resumo: A terapia online, também denominada psicoterapia mediada por tecnologias digitais, tem se consolidado como uma importante modalidade de atendimento em saúde mental. Por meio de videoconferências, plataformas digitais e outros recursos.

Essa modalidade ganhou maior visibilidade nos últimos anos e pode contribuir para ampliar o acesso aos cuidados psicológicos, especialmente para pessoas que enfrentam dificuldades de deslocamento, limitações de tempo ou barreiras geográficas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) destaca que as tecnologias digitais em saúde apresentam potencial para ampliar o acesso das mulheres aos serviços de saúde e podem contribuir para melhores resultados em áreas como saúde materna e saúde mental. 

No caso das mulheres, a terapia online pode assumir particular relevância diante de diferentes demandas relacionadas à saúde mental ao longo do ciclo de vida. Questões relacionadas à maternidade, gestação, pós-parto, relacionamentos, trabalho, sobrecarga de responsabilidades, violência, ansiedade, depressão e mudanças nas diferentes fases da vida podem produzir impactos importantes sobre o bem-estar psicológico. A OMS reconhece que a saúde mental das mulheres precisa ser compreendida considerando fatores sociais, culturais e relacionados às condições de vida, e não apenas aspectos individuais. 

Do ponto de vista científico, existem evidências favoráveis à utilização de intervenções psicológicas realizadas pela internet. Uma revisão sistemática abrangente publicada em 2024 analisou a terapia cognitivo-comportamental realizada pela internet e encontrou evidências de benefícios para diferentes condições, especialmente transtornos depressivos e de ansiedade. Os autores ressaltam que essas intervenções podem incluir acompanhamento e orientação de profissionais, aspecto importante para diferenciar uma psicoterapia estruturada de intervenções digitais exclusivamente autoadministradas. 

Outra revisão sistemática com meta-análise, publicada por Jonsson et al. (2023), avaliou intervenções psicológicas realizadas pela internet como complemento ao tratamento convencional para transtornos mentais comuns. Os estudos analisados incluíram pessoas com depressão, ansiedade e transtorno de estresse pós-traumático, indicando que intervenções psicológicas digitais podem constituir uma alternativa ou complemento relevante ao cuidado tradicional em determinados contextos. 

Quando se considera especificamente o público feminino, há evidências particularmente relevantes no período da gestação e do pós-parto. Uma revisão sistemática e meta-análise realizada por Lau et al. (2017), envolvendo oito ensaios clínicos randomizados e 1.523 participantes, investigou a terapia cognitivo-comportamental pela internet com suporte de terapeutas entre mulheres no período pós-parto. Os resultados indicaram melhora significativa em sintomas de estresse, ansiedade e depressão, sugerindo que intervenções psicológicas online acompanhadas por profissionais podem ser úteis nessa população. 

Também existem estudos sobre intervenções psicológicas online durante a gestação. Neo et al. (2022), em uma meta-análise, avaliaram intervenções psicológicas realizadas pela internet para mulheres grávidas e investigaram seus efeitos sobre sintomas de depressão, ansiedade, estresse e medo do parto. Esse conjunto de evidências demonstra o crescente interesse científico pela utilização das tecnologias digitais como recurso complementar ao cuidado psicológico durante o período perinatal. 

Outra revisão sistemática analisou especificamente a terapia cognitivo-comportamental digital entre mulheres no período perinatal. Os resultados indicam que intervenções digitais podem contribuir para a redução de sintomas psicológicos, embora os autores também ressaltem a necessidade de pesquisas metodologicamente rigorosas para compreender quais formatos, duração e intensidade das intervenções são mais adequados. 

Além dos possíveis benefícios clínicos, a terapia online pode favorecer a acessibilidade. Para algumas mulheres, realizar o atendimento no próprio ambiente pode facilitar a conciliação entre psicoterapia, trabalho, estudos, maternidade e outras responsabilidades. A tecnologia também pode ser especialmente importante para mulheres que vivem em localidades com menor disponibilidade de profissionais especializados. Relatório da OMS sobre tecnologias digitais e saúde das mulheres aponta que recursos digitais podem superar determinadas barreiras socioeconômicas, culturais e geográficas e facilitar o acesso das mulheres aos serviços de saúde. 

Também é importante diferenciar psicoterapia online de conteúdos de saúde mental encontrados em redes sociais, aplicativos ou sites. Embora recursos digitais possam oferecer informação e apoio, a psicoterapia pressupõe a atuação de profissional habilitado e uma relação terapêutica estruturada. A modalidade online não elimina a necessidade de avaliação clínica individualizada, planejamento terapêutico, acompanhamento profissional e observação de possíveis situações que demandem cuidados adicionais.

Em relação à depressão, a própria OMS reconhece a psicoterapia como uma forma eficaz de tratamento e afirma que a terapia de conversa pode ser realizada presencialmente ou online. Isso reforça a compreensão de que a modalidade digital pode integrar as estratégias contemporâneas de cuidado em saúde mental, desde que utilizada de maneira adequada e dentro das condições clínicas e profissionais apropriadas.

Assim, a terapia online representa uma possibilidade importante de ampliação do acesso à saúde mental das mulheres. As evidências disponíveis indicam resultados promissores, sobretudo para sintomas de depressão e ansiedade e para demandas relacionadas ao período perinatal. Entretanto, sua efetividade depende de diversos fatores, incluindo o tipo de intervenção, a presença de acompanhamento profissional, as características da paciente, a qualidade da relação terapêutica e as condições de segurança e privacidade do atendimento. Dessa maneira, a terapia online deve ser compreendida não como substituição automática da psicoterapia presencial, mas como uma modalidade legítima de cuidado psicológico que pode ampliar as possibilidades de acesso e atendimento às diferentes necessidades das mulheres.

Daniely Zucatelli Lacerda

Psicóloga ClínicaCPR 16/5407

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