Burnout em Mulheres: Quando Ser Forte Demais Também Cansa

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Burnout em Mulheres: Quando Ser Forte Demais Também Cansa

✨Resumo: Escute os sinais. O esgotamento não é falta de força — é um pedido de cuidado. Vivemos em uma época marcada pela aceleração, pela cobrança por produtividade e pela sensação de que é preciso estar disponível o tempo todo.

Para muitas mulheres, essa pressão pode se somar à jornada profissional, às responsabilidades familiares, à gestão da casa, aos cuidados com outras pessoas e à expectativa social de dar conta de tudo. Nesse cenário, falar sobre burnout feminino é falar também sobre saúde mental, limites e qualidade de vida.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) define o burnout como uma síndrome resultante do “estresse crônico no local de trabalho que não foi administrado com sucesso”. A classificação considera três dimensões principais: exaustão, distanciamento mental ou sentimentos negativos em relação ao trabalho e redução da eficácia profissional.

Quando o cansaço deixa de ser apenas cansaço

Nem sempre o burnout aparece de forma evidente. Às vezes, começa com aquela sensação de estar constantemente cansada, mesmo depois de dormir. Pode surgir como irritabilidade, dificuldade de concentração, perda de motivação, sensação de incapacidade, distanciamento emocional ou vontade de se afastar de situações que antes eram prazerosas.

É importante prestar atenção quando o “eu dou conta” começa a significar “eu não aguento mais”.

Pesquisas sobre ambientes de trabalho atravessados por questões de gênero indicam que as experiências profissionais podem afetar a saúde mental de mulheres e homens de maneiras diferentes. Uma revisão sistemática de 27 estudos encontrou, entre outros resultados, evidências de que a saúde mental das mulheres pode ser mais afetada por jornadas de trabalho prolongadas. 

Isso não significa que toda mulher submetida a uma rotina intensa desenvolverá burnout. Significa que as condições de trabalho, a organização da vida e a sobrecarga precisam ser consideradas quando falamos sobre saúde mental feminina.

A mulher que precisa cuidar de todos também precisa ser cuidada

Durante muito tempo, a capacidade de suportar, cuidar e resolver problemas foi associada à ideia de força feminina. Porém, transformar a resistência em obrigação pode fazer com que sinais importantes sejam ignorados.

Você não precisa adoecer para provar que é forte.

Uma revisão sistemática sobre programas de bem-estar voltados a mães trabalhadoras destaca a importância de iniciativas que promovam saúde, redução do estresse, equilíbrio entre trabalho e vida pessoal e bem-estar. 

Além disso, uma revisão publicada em 2024 sobre intervenções no ambiente de trabalho para mulheres concluiu que ações de apoio podem contribuir para a promoção da saúde mental de trabalhadoras. 

Por isso, falar de burnout não deve significar apenas ensinar a mulher a “administrar melhor o estresse”. Também é necessário olhar para as condições que produzem ou mantêm a sobrecarga.

A importância da Psicologia

A psicologia pode oferecer um espaço de escuta, acolhimento e compreensão das experiências que muitas vezes são vividas em silêncio. O acompanhamento psicológico pode ajudar a identificar padrões de sobrecarga, compreender emoções, estabelecer limites, desenvolver estratégias de enfrentamento e reconstruir uma relação mais saudável com o trabalho e consigo mesma.

A própria OMS recomenda uma abordagem ampla para a saúde mental no trabalho, incluindo intervenções organizacionais, capacitação de gestores e trabalhadores e intervenções individuais.

Isso reforça uma ideia fundamental: cuidar da saúde mental não é responsabilidade exclusiva do indivíduo.

Ambientes de trabalho saudáveis também precisam considerar carga de trabalho, apoio, segurança psicológica, organização das atividades e condições adequadas para que as pessoas possam trabalhar sem comprometer sua saúde. A OMS destaca que fatores como pressão de tempo, falta de controle sobre as tarefas, jornadas extensas e ausência de suporte podem contribuir para estresse ocupacional, burnout e fadiga. 

Destaques para lembrar

“O seu limite também merece respeito.”

“Descansar não diminui o seu valor profissional.”

“Pedir ajuda é uma atitude de cuidado, não de fracasso.”

“Você não precisa esperar o esgotamento para começar a se cuidar.”

Um convite ao cuidado

Talvez seja hora de perguntar a si mesma: como eu realmente estou?

Não apenas profissionalmente. Mas emocionalmente, fisicamente e nas relações que fazem parte da sua vida.

Se o cansaço se tornou constante, se o trabalho passou a provocar sofrimento ou se você sente que perdeu a capacidade de descansar e se desconectar, considere conversar com um profissional de Psicologia. O cuidado psicológico pode ser um importante caminho para compreender o que está acontecendo e construir formas mais saudáveis de viver e trabalhar.

Cuidar da saúde mental não é parar de ser forte. É permitir-se não carregar tudo sozinha.

 

Daniely Zucatelli Lacerda

Psicóloga ClínicaCPR 16/5407

 

Referências

  • Organização Mundial da Saúde (OMS). Burn-out an occupational phenomenon – ICD-11. A OMS classifica o burnout como fenômeno ocupacional relacionado ao estresse crônico no trabalho. 
  • World Health Organization. Guidelines on mental health at work. Genebra: WHO, 2022. 
  • Milner, A. et al. Gendered working environments as a determinant of mental health inequalities: a systematic review of 27 studies. Occupational and Environmental Medicine, 2021. 
  • Ernawati, E. et al. Workplace wellness programs for working mothers: A systematic review. Journal of Occupational Health, 2022. DOI: 10.1002/1348-9585.12379. 
  • Arab Najafabadi, Z. et al. The effectiveness of implemented interventions at the workplace to promote the mental health of working women: A systematic review. Journal of Education and Health Promotion, 2024. DOI: 10.4103/jehp.jehp_893_23.

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